Memória das Cidades

História da Escola Alemã na cidade da Lapa no Paraná

Foto Glück. Colaboração de Gustavo Adolfo Gomes Scholz.

 

POR OCASIÃO DO LANÇAMENTO DA PEDRA
FUNDAMENTAL DA ESCOLA ALEMÃ DA LAPA – 1927

Texto original traduzido do Alemão.

Tema: Educação na Lapa / Der Kompass – Curityba – Estado do Paraná – 1927.
Rua 24 Maio, Nº 33. Emil Seins – Editor Responsável.

HISTÓRIA DA ESCOLA ALEMÃ

 

 

Von Pfarrer Friedr. Wilhelm Brepohl Ponta Grossa.
NOTA: Friedrich Wilhelm Brepohl. (Cartenberg/Alemanha, 1879; Ponta Grossa/PR,
1952), pastor, livreiro, escritor. Brepohl, foi um pastor evangélico que partiu para o
Brasil em missão, por dois anos no município de Lapa, no Paraná, e, em seguida, no de
Ponta Grossa.

 

 

Lançamento da pedra fundamental da Escola Alemã da Lapa.

Pelo pastor Friedr. Wilhelm Brepohl (Ponta Grossa). A colônia alemã no antigo
acampamento da Lapa se prepara para o lançamento cerimonial da pedra fundamental
da construção de uma escola alemã. O “Der Kompass”, que há um quarto de século
registra fielmente o sofrimento e a alegria dos alemães paranaenses e centro-brasileiros,
e sempre se esforçou para representar e promover os interesses alemães no Brasil, não
deve faltar nos celebrantes. Ele aproveita a ocasião para contar aos seus leitores algo
sobre esta segunda cidade mais antiga do Paraná e sua germanidade.

Se Ponta Grossa é a princesa da batalha, a Lapa é a sua pérola. Quem pega o trem para
Rio Negro ou vice-versa, não tem ideia da beleza desta pequena cidade. Acontece então
que a maioria dos paranaenses nada conhece da beleza do entorno da Lapa e o considera
um lugar muito insignificante e feio.

A Lapa é como a violeta que floresce em segredo. Mas quem encontrar a violeta irá
desfrutar do seu cheiro agradável. Quem um dia olhou das montanhas ao redor da Lapa,
por exemplo do “Monge”, para o lindo quadro a seus pés, ficou com uma impressão
indelével da pequena e preciosa pérola da cidade e seus arredores. Provavelmente é por
isso que a lenda do “Santo água do Monge” diz que quem bebesse essa água de nascente
não poderia mais sair da Lapa e voltaria sempre.

A Lapa, com seu encadeamento de pedras serpenteando pela paisagem como uma coroa
de flores (de onde provavelmente vem o nome Lapa), forma um dos pontos mais belos
do planalto paranaense. Assim que o turismo decolar no Brasil, ele será um dos destinos
turísticos mais populares. Mas a história do primeiro povoamento deste lindo lugar e
das terras altas ao redor da Lapa é obscura.

O autor da história e descrição do município da Lapa, Altamirano Nunes Pereira,
assume que a construção de uma estrada de Curityba a Viamão em 1731 foi a razão do
primeiro povoamento do atual planalto ao redor da Lapa.
Esta é uma suposição e não pode ser provada por escrito. O documento mais antigo
existente sobre a Lapa data de 1769. Segundo ele, o dia 13 de junho de 1769 pode ser
visto como o aniversário da Lapa, pois nesse dia foi fundada a “Paróquia de Santo
Antônio da Lapa”.

O povoado era constituído inicialmente por quatro casas do tipo mais primitivo
decoradas com Taquary e pela igreja de S. Antônio. Este último era um local de culto
peculiar, construído em madeira vertical e coberto com taquari. A freguesia de Santo
António da Lapa abrangia uma grande área, nomeadamente todos os actuais municípios
da Lapa, Araucária e Rio Negro. Para garantir a continuidade da existência da freguesia,
o primeiro padre católico desta freguesia, o Padre João da Silva Reis, homem que não
era pouco rico para os padrões da época, doou em breve uma légua quadrada* de
terreno à nova igreja, depois da fundação da paróquia.

Ele determinou que esse terreno seria arrendado e que uma enorme igreja seria
construída com o aluguel. A construção progrediu lentamente. Só em 13 de outubro de
1791 é que a nova massiva igreja foi consagrada pelo padre Francisco Pacheco de
Oliveira. A construção da igreja atraiu cada vez mais pessoas para a Lapa, fazendo com
que a cidade crescesse de forma relativamente rápida. Além disso, a comissão para a
determinação e registro da área do Rio Tibagy ficou aqui já em 1771, quando o novo
local se tornou amplamente conhecido e o número de moradores aumentou. 28 anos
após a sua fundação, a Paróquia S. Antônio da Lapa encontrou o seu reconhecimento
legal pelo governador da Capitania S. Paulo (em 13 de junho de 1797)

Os Alemães na Lapa
Em 26 de setembro de 1828, devido ao povoamento europeu (principalmente
alemão) ali iniciado em 1827, Rio Negro separou-se da Lapa e fundou a nova
freguesia do Senhor Nascido Jesus de Rio Negro, que se tornou independente em
21 de fevereiro de 1838. No entanto, a freguesia da Lapa desenvolveu-se muito
rapidamente. Em 1850 já contava com 5.406 habitantes, e em 1872 chegava a ter 8.709
habitantes. Através da imigração dos alemães do Volga, que se estabeleceram no
interior da freguesia da Lapa (nas colónias de Marienthal e Johannesdorf
pesquisadas por Theodor Ochs) de 1877 a 1879, não só a freguesia, mas também a
própria cidade da Lapa experimentaram um uma elevação ainda mais
significativa.

Especialmente do ponto de vista comercial. Isto causou sérias considerações após a
proclamação de República em 1889. Fazer da Lapa a capital do nascente estado do
Paraná. Primeiro, a enorme área territorial do que hoje é o município da Lapa foi
novamente dividida e Araucária foi desmembrada em 11 de fevereiro de 1890 e
tornada município independente. O feliz desenvolvimento ascendente da Lapa
deveu-se à batalha decisiva entre os legalistas. Os federalistas, que assolaram as
alturas da Lapa em 1894, sofreram um enorme revés.

Não há necessidade de entrar em detalhes sobre a batalha, que durou dias, pois foi
descrita e descrita com bastante frequência. Lapa foi gravemente afetado e não
conseguiu se recuperar totalmente desde então, até recentemente, quando seu prefeito,
Dr. Eduardo de Santos Lima e o Presidente, sua esposa da Lapa é natural e pertence a
uma antiga família Lapeana (lapense), e está empenhado de forma especial na elevação
do lugar. Edifícios magníficos, lembro-me apenas que o sanatório para doentes
pulmonares está quase cheio, que é um fórum novo e a escola estadual, condena o início
de uma nova era. Um pequeno episódio dos dias posteriores à Batalha da Lapa não deve
ser deixado de lado, pois mostra os quão perturbados estavam os seus habitantes
naquela época. Lapa tinha uma magnífica palmeira ‘Avenida’ (a rua principal onde está
localizado o novo fórum, que ainda hoje se chama Avenida). Poucos dias depois da
batalha, os cidadãos fizeram as seguintes perguntas:

Daí veio o infortúnio desta batalha sobre a Lapa. Diz-se que havia um cartão na rua que
dizia: “Bom essas palmeiras.” Na manhã seguinte todas as palmeiras eram de um dos
clãs, por favor, suas mãos. (De acordo com a história de antigos cidadãos Lapeanos
(lapenses). A Avenida permaneceu sem árvores desde então. Quando a libertação dos
escravos foi bem-sucedida em 1888, a população negra e agora libertada da Lapa
decidiu honrar o Senhor para construir uma casa de Deus de acordo com a bênção
da Etiópia.

Para o efeito escolheram o ponto mais alto do terreno ondulado do local, logo ficaram
sem recursos, o que foi conseguido através da batalha decisiva do Revolução. A situação
económica criada pela evolução também teve impacto, enquanto o edifício permaneceu
no local durante uma década (até 1912) e foi totalmente concluída. Então o abastado
cidadão Antonio Cavallin jogou um de seus filhos em um poço.

Em sua angústia, o pai jurou que, se seu filho fosse salvo, ele usaria seu próprio dinheiro
para concluir a construção. Assim aconteceu, e em 1914 a igreja foi consagrada.
Saudações, como resquício do tempo passado da escravidão, da maior ondulação da
área da cidade Lapa igreja dos escravos, que ainda está sem torre, mas receberá uma em
breve.

A colonização alemã começou cedo na Lapa. O vestígio mais antigo de que alemães
estiveram na Lapa vem dos arquivos do cartório de lá. Já no ano de 1838, Nicholas Blei
e lzabel Gerb compraram um terreno na Lapa e Friedrich Schulz e Leonhard Schulz
assinaram uma escritura de dívida. A prova da cobertura completa da história paroquial
de Santo Antônio da Lapa dos anos 1872 registrou 108 Pessoas não brasileiras de
nascimento (filiação) sendo 26 não católicas. Não deveria ser um erro entender esses
26 não católicos como protestantes alemães, porque já em 1892 as famílias
protestantes alemãs estavam se formando em uma igreja, que foi inicialmente
servida pelo Pastor Quest – Rio Negro (hoje em S. Bento).

A mando deste último, em 1893 – 94, Pastor Wiedmer, que já havia trabalhado em
Brüdertal (Sta. Catharina), assumiu novamente a comunidade. Sobre esta foi então
construída a igreja protestante alemã, que inicialmente foi construída sem torre. A
reunião que decidiu pela sua construção, ocorrida em 2 de janeiro de 1902, determinou
também que o edifício deveria servir também como Escola alemã. Ainda hoje serve a
esse propósito.

O imóvel foi doado pela Câmara, mas como a então melhor comunidade protestante
alemã, composta por novas famílias, não tinha direitos de pessoa jurídica, o Sr. P. Como
pessoa fiduciária, o município determinou e o imóvel foi registrado em seu nome em B
*e Grundbuche. Dos fundadores, além do Pastor Wiedmer, apenas vive o atual
presidente honorário da associação escolar, Sr. August Schilling. A igreja foi
consagrada em 1903, e em 1904 decidiu-se construir uma torre.

Dois sinos foram doados pela Suíça. A escola alemã foi inaugurada em 1903. No início
ela estava a cargo do Sr. Wiedmer, que permaneceu no cargo até 1917, enquanto o
ensino era temporariamente ministrado por outros professores capacitados. Funcionou
em momentos diferentes com Lord I. Thomen (agora administrador do Consulado Suíço
em Curityba), Sr. Heinrich Baroni (agora engenheiro em Sta. Barbara, Mun. Palmeira),
Sr. Kauschmann (agora professor em Curityba). Em 1910, o falecido professor Sr. Otto
Hayra assumiu as aulas que ministrou até 1916.

Foi nessa época que ocorreu o primeiro encontro de professores de alemão no Paraná,
ocorrido na Lapa em 1910. Assim, 11 anos antes da fundação da Jornada Escolar
teuto-brasileira (1921), um professor e uma jornada escolar alemã se reuniram na
Lapa. Pelo que sabemos, este foi visitado pelos professores Carlos Weil (Colégio
Católico de Mariental), Franz Vlazeck 1″ (Palmeira), Carlos Gramer (Escola Colônia
Protestante de Quero – Quero), Otto Hayra (Lapa), os pastores e professores: P. David
Wied m e r (L apa) e P. Gustav W u n e r (Rio N e g ro) .

As palestras foram proferidas pelos professores Carlos Gramer, P. Widmer e P. Milagres
realizados. Foi fundada uma associação de ensino, mas não foi criada. Infelizmente,
mal-entendidos entre a educação escolar e os professores levaram o Sr. Hayra a demitir-se

após seis anos de trabalho leal. Ele foi seguido pelo Sr. Doetzsch, que deu aulas
durante o primeiro ano até que a escola foi destruída pela guerra em 1917 e caiu, com
todas as instalações escolares, materiais didáticos, etc. foram destruídos.
Só no final de 1920 o mesmo pôde, graças à intervenção do Senhor Prefeito Dr. Eduardo
de Santos L ima, a ser reaberto. Primeiramente, o Sr. Professor 3 teve as aulas, mas
depois de 4 meses foi entregue novamente ao Sr. Pastor Wiedmer, que, apoiado por sua
esposa, cujo sacrifício não pode ser suficientemente enfatizado, e suas filhas
continuaram a escola até 1923, mas depois devido à falta de filhos, foi validamente
estabelecido.

Foi então formada uma associação escolar alemã, que agora também está construindo o
novo prédio escolar. Em abril de 1923 assumiu a escola. Primeiro, o Sr. Professor
Büchner lecionou (até 1923 de julho), depois o Sr. Otto Nielsen lecionou até 1924 de
agosto de 24. Nos dias 19 e 24 de agosto, a escola foi fechada à força pelo governo e
somente nos dias 6, 19 e 25 de janeiro pelo Senhor Prefeito foi aberta. Agora, a primeira
pessoa a trabalhar foi o Sr. Professor Hölzer (Curityba), mas depois de apenas oito
meses ele foi designado para uma vaga na Escola Alemã (Collegiate School).

Depois que o professor de comércio suíço, Sr. Han Fritter, deu as aulas de 30 de
setembro a 31 de outubro, o filho do autor, Ernst Brepohl, que apodrece na freguesia da
Lapa desde setembro, assumiu as aulas. Tentamos expandir a escola. Foram
introduzidas aulas de artesanato e desenho (ministradas pelo Fcan Pastor Brepohl),
foram ministradas aulas de inglês, e eu mesmo assumi as aulas de religião e de história
local. A escola foi fechada novamente (depois de Ponta Grossa) em 25 de janeiro de
1926, em ao mesmo tempo que o Rio Negro. As crianças alemãs foram matriculadas à
força no Grupo.

Somente em 15 de setembro de 1926 o Sr. Metz conseguiu assumir oficialmente a
escola novamente. Desde 1º de agosto de 1926, o pastor Brepohl abriu uma escola
provisória, que ele e seu filho mais novo, Imanuel Brepohl, abriram e dirigiram, mas no
interesse de toda a Alemanha ele a deixou ir para a Escola da Associação Escolar
assim que abriu o seu. A vida social dos Lapas alemães concentra-se no “Clube TeutoBrasileiro”.

O mesmo foi feito no Aniversário do Imperador, dia 27 Janeiro de 1907,
ocasionalmente, um piquenique foi realizado na chácara do Sr. (Theodoro) Wille, por
sugestão do pomerano Reinhold Neumann. Também foi vítima das manifestações de
19 de novembro de 1917. Após o tratado de paz, o empório voltou a florescer e em 1921
passou a ter o seu próprio edifício de clube, onde ainda hoje se encontra. Lapa conta
hoje com cerca de 70 famílias alemãs, pois todas são pequenas cidadãs. Os artesãos
pertencentes às classes de artesãos mostram aqui as vítimas que fizeram ao seu povo.

Além disso, o desejo de longa data de construir uma escola própria não poderia ter sido
realizado se não fosse pela Colônia Alemã de Curityba e pelo Consulado Alemão em
Curityba. Em agradecimentos, Werter e Gressey, que ajudaram a chegar até o final do
bravo alemão. Lapa
Uma calorosa saudação tradicional alemã e uma bênção para sua
celebração.

 

Fonte e tradução: https://www.amigbrasil.org.br/…/Der-Kompass-1927-edicao

 

 

 

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Redação Memória Paranaense

Este portal foi criado pelo jornalista José Wille no ano de 2018.

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